Czytaj książkę: «Hamlet»

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William Shakespeare

Hamlet

Edição Portuguesa - Drama em cinco Actos


Publicado pela Editora Good Press, 2022

goodpress@okpublishing.info

EAN 4064066408053

Índice de conteúdo

INTERLOCUTORES

ACTO PRIMEIRO

SCENA I

SCENA II

SCENA III

SCENA IV

SCENA V

ACTO SEGUNDO

SCENA I

SCENA II

ACTO TERCEIRO

SCENA I

SCENA II

SCENA III

SCENA IV

ACTO QUARTO

SCENA I

SCENA II

SCENA III

SCENA IV

SCENA V

SCENA VI

SCENA VII

ACTO QUINTO

SCENA I

SCENA II

INTERLOCUTORES

Índice de conteúdo

CLAUDIO—Rei de Dinamarca.

HAMLET—Filho do defunto Rei e sobrinho do Rei reinante.

POLONIO—Camareiro mór.

HORACIO—Amigo de Hamlet.

LAERTE—Filho de Polonio.


VOLTIMANDO CORNELIO ROSENCRANTZ GUILDENSTERN OSRICO Cortezãos dinamarquezes.

UM OUTRO CORTEZÃO.

UM PADRE.

REINALDO—Creado de Polonio.

MARCELLO E BERNARDO—Officiaes.

FRANCISCO—Soldado.

UM EMBAIXADOR.

A SOMBRA DO REI HAMLET.

FORTIMBRAZ—Principe de Noruega.

GERTRUDES—Rainha de Dinamarca, mãe de Hamlet.

OPHELIA—Filha de Polonio.

Senhores, damas, officiaes, soldados, actores, padres, coveiros, marinheiros, mensageiros, creados, etc.

A scena passa-se em Elsenor

ACTO PRIMEIRO

Índice de conteúdo

SCENA I

Índice de conteúdo

Elsenor, a explanada do castello

FRANCISCO de sentinella, BERNARDO vem encontrar-se com elle

BERNARDO

Quem vem lá? viva quem?

FRANCISCO

Responde tu primeiro, faze alto, deixa-te reconhecer.

BERNARDO

Viva o rei.

FRANCISCO

Bernardo?

BERNARDO

Eu mesmo.

FRANCISCO

És pontual.

BERNARDO

Acaba de dar meia noite; vae descansar, Francisco.

FRANCISCO

Agradeço-te de me teres vindo render; faz um frio glacial, e começava a sentir-me incommodado.

BERNARDO

Não houve novidade emquanto estiveste de sentinella?

FRANCISCO

Nem sequer ouvi correr um rato.

BERNARDO

Então boas noites; se vires Horacio e Marcello, que tambem estão de guarda, dize-lhes que se aviem.

Chegam HORACIO e MARCELLO

FRANCISCO

Creio ouvil-os, façam alto, quem vem lá?

HORACIO

Amigos da patria.

MARCELLO

Subditos do rei de Dinamarca.

FRANCISCO

Santas noites.

MARCELLO

Viva, meu valente soldado, quem te rendeu?

FRANCISCO

Bernardo está agora de sentinella. Boa noite. (Retira-se.)

MARCELLO

Olá, Bernardo?

BERNARDO

Não é Horacio que eu vejo?

HORACIO

Elle mesmo em corpo e alma.

BERNARDO

Bemvindo sejas, Horacio, e tu tambem, amigo Marcello.

MARCELLO

Dize-me, já viste a apparição esta noite?

BERNARDO

Ainda nada vi.

MARCELLO

Horacio diz que é effeito da minha imaginação, e nega-se a acreditar na visão temerosa, de que já por duas vezes fomos testemunhas; pedi-lhe portanto que viesse comnosco, para que se o phantasma de novo apparecer, elle possa testemunhar a verdade do que afiançâmos e dirigir-lhe a palavra.

HORACIO

Historias, qual apparecer!

BERNARDO

Sentemo-nos um instante, e vamos repetir-te a narração do que temos presenceado duas noites consecutivas e a que prestas tão pouco credito.

HORACIO

Com todo o gosto, e deixemos fallar Bernardo.

BERNARDO

A noite passada, á hora em que esta estrella que vêem ao poente do polo descreve o seu giro e vem illuminar esta parte do firmamento, em que ora brilha, no momento em que na torre soava uma hora, Marcello e eu...

MARCELLO

Silencio, eil-o que apparece.

Apparece a sombra do REI

BERNARDO

Assimilha-se ao defunto rei.

MARCELLO

Tu que estudaste, Horacio, falla-lhe.

BERNARDO

Não é verdade que se parece com o defunto rei? Observa bem, Horacio.

HORACIO

A similhança é espantosa; a surpreza e o terror paralysaram-me.

BERNARDO

Parece esperar que lhe fallem.

MARCELLO

Falla-lhe, Horacio.

HORACIO

Quem quer que és, que a esta hora da noite usurpas a fórma magestosa e guerreira, debaixo da qual se mostrava o meu defunto soberano, em nome do céu, falla, ordeno-to eu!

MARCELLO

Parece descontente.

BERNARDO

Eil-o que se afasta, caminhando lenta e gravemente.

HORACIO

Detem-te, falla, falla, intimo-te a que falles. (A sombra afasta-se.)

MARCELLO

Foi-se sem responder.

BERNARDO

Então, Horacio, que é essa tremura e pallidez; não haverá alguma cousa mais do que um effeito de imaginação, que dizes agora?

HORACIO

Pelo Deus do céu, não o acreditava sem o testemunho positivo e irrecusavel dos meus proprios olhos.

MARCELLO

Não se parece com o rei?

HORACIO

Como tu te pareces comtigo mesmo, era a armadura que usava quando combateu o ambicioso norueguez; tinha aquelle ar ameaçador, no dia em que no seu proprio carro, atacou, por causa de uma acalorada porfia, o guerreiro polaco, e o prostrou no gêlo para nunca mais se levantar. É assombroso!

MARCELLO

Assim é que elle já duas vezes passou pelo nosso posto de observação com o seu caminhar grave e marcial.

HORACIO

Com que designio, ignoro-o, mas em minha opinião é um presagio para o estado de alguma grande catastrophe.

MARCELLO

Pois bem, sentemo-nos, e aquelle d'entre vós todos que o souber, diga porque fatigam, com guardas vigilantes e rigorosas, os subditos d'este reino; para que esta fundição diaria de canhões de bronze, estas compras de armamentos e munições no estrangeiro; para que se enchem de operarios os nossos arsenaes maritimos; porque este augmento de trabalho, que nem os dias santos são respeitados; para que esta actividade de dia e de noite? O que será? Qual de vós m'o poderá dizer?

HORACIO

Posso eu, ao menos, referir os boatos. Nosso ultimo rei, cuja imagem ainda ha pouco vimos, foi, segundo dizem, convocado a campo fechado por Fortimbraz de Noruega, que um cioso orgulho tinha levado a esse acto. N'esse combate o nosso valente Hamlet, e era justa a sua reputação, matou a Fortimbraz. Ora em virtude de uma declaração authentica, sanccionada pelas leis da cavallaria, se Fortimbraz succumbisse, todos os seus estados pertenceriam ao vencedor. Por sua parte o nosso rei tinha empenhado da mesma fórma a sua palavra; e no caso de elle ser vencido, uma igual porção de territorio pertenceria a Fortimbraz. Assim, em virtude d'este pacto reciproco, a successão do vencido pertencia de direito a Hamlet. Comtudo o joven Fortimbraz, ardente e sem experiencia, reuniu nas fronteiras de Noruega um exercito de aventureiros, promptos e resolvidos pela soldada aos mais audaciosos commettimentos. O seu projecto, segundo o nosso governo está informado, é nada menos do que retomar á viva força e de mão armada esse territorio que seu pae perdeu com a vida: eis-aqui, na minha fraca opinião, a rasão principal dos preparativos que fazemos, das guardas a que somos obrigados, e d'esta actividade tumultuosa que se nota em todo o paiz.

BERNARDO

Tambem eu julgo ser esse o motivo; isto explica-nos porque vemos passar diante dos postos de guarda a sombra do rei, com a sua armadura e com o seu porte magestoso, d'esse rei que foi e é o causador d'esta guerra.

HORACIO

É um argueiro nos olhos da intelligencia para lhes perturbar a vista. Nos tempos mais gloriosos e florescentes de Roma, pouco antes da morte do grande Julio, abriram-se os tumulos, e os mortos, nas suas mortalhas, divagaram pela cidade, soltando gritos ameaçadores; viram-se estrellas deixar após si rastos luminosos, choveu sangue, desastrosos signaes appareceram no céu, e o astro humido, sob cuja influencia está o imperio de Neptuno, eclipsou-se; todos julgavam ser o fim do mundo. Estes mesmos signaes precursores de acontecimentos terriveis, correios de maus destinos, preludios de grandes catastrophes, o céu e a terra os fizeram apparecer nos nossos climas, aos olhos impressionaveis dos nossos compatriotas.

A sombra reapparece

HORACIO continuando

Mas silencio, olhem, eil-o que volta. Vou interpellal-o, embora elle me fulmine. Pára. Illusão. Se tens o dom da palavra, se pódes articular sons, falla; se ha alguma boa acção cujo cumprimento te possa alliviar e contribuir para a minha salvação, responde-me: se és sabedor de alguma desgraça que ameace a tua patria, e que um aviso opportuno possa desviar... Oh falla! ou se em tua vida confiaste ás entranhas da terra riquezas mal adquiridas; e a maior parte das vezes é por isso que vós, os espiritos, divagaes depois da morte, dil-o. (O gallo canta.) Detem-te e falla. Veda-lhe o caminho, Marcello.

MARCELLO

Devo servir-me da minha partazana?

HORACIO

Serve-te se não parar.

BERNARDO

Para cá?

HORACIO

Por acolá. (A sombra afasta-se.)

MARCELLO

Partiu!—que presença magestosa!—são desacertadas estas demonstrações violentas! é invulneravel como o ar, e os nossos golpes não são senão o ridiculo esforço de uma colera impotente.

BERNARDO

Ia fallar quando cantou o gallo.

HORACIO

Estremeceu como um culpado que uma intimação subita aterra. Ouvi dizer que o gallo, que é o clarim da aurora, acorda o Deus da manhã com a sua voz sonora e penetrante, e que a esse signal todos os espiritos errantes no mar, no fogo, na terra ou no ar se apressam em voltar aos seus respectivos dominios. A prova está no que acabâmos de presencear.

MARCELLO

O gallo cantou, e elle desappareceu. Algumas pessoas dizem que na vespera do dia em que se celebra a natividade do Salvador do mundo, o arauto da manhã canta toda a noite sem interrupção; pretendem então que nenhum espirito ousa saír da sua mansão, que as noites são salubres, que nenhuma estrella exerce influencia maligna, nenhum maleficio surte effeito, que nenhuma feiticeira exercita os seus feitiços, tanto esse dia é bento, e está sob o imperio de uma graça celeste.

HORACIO

Assim o ouvi dizer, e acredito-o. Mas eis que no oriente, acolá no fundo, por detrás dos outeiros, surge a manhã, vestida de purpura por entre o orvalho. Demos fim á nossa vigilia, e vamos dar parte ao joven Hamlet do que vimos esta noite; porque, por vida minha, creio que este espirito, mudo para todos, lhe fallará. Approvam esta confidencia, que nos impõe o nosso dever e a nossa affeição?

MARCELLO

Vamos sem detença; sei onde o acharemos, e onde lhe poderemos fallar sem constrangimento. (Retiram-se.)

SCENA II

Índice de conteúdo

Uma sala apparatosa no castello

Entram o REI e a sua comitiva, a RAINHA, HAMLET, POLONIO, LAERTE, VOLTIMANDO, CORNELIO e CORTEZÃOS

O REI

A morte de Hamlet, nosso amado irmão, ainda é tão recente, que pareceria justo, que nossos corações estivessem immersos na tristeza e saudade, e que uma nuvem de dor cobrisse o solo d'este reino; comtudo, a rasão combateu os impulsos da natureza, tanto que enfreámos a nossa dor, e embora ainda esteja bem viva a recordação, pensâmos tambem em nós. Portanto, com um prazer incompleto, confundindo os sorrisos com as lagrimas, a alegria com o luto; unindo o dobrar dos sinos aos canticos nupciaes, tomámos por esposa aquella que outr'ora era nossa irmã, e fizemol-a compartir comnosco a corôa d'este bellicoso paiz. N'esta conjunctura ouvimos primeiro os vossos illustrados conselhos, livremente enunciados. Somos-lhes gratos. Quanto ao joven Fortimbraz, fazendo seguramente uma fraca idéa do nosso poder, ou imaginando que a morte de nosso chorado irmão lançasse o estado na dissolução e na anarchia, embalando-se em chimerica esperança, ousou mandar-nos mensagem após mensagem, intimando-nos a restituir-lhe o territorio perdido por seu pae, e legalmente adquirido por nosso valoroso irmão; isto por o que lhe respeita. Fallemos agora de nós e do motivo d'esta reunião. O motivo é este. Pelas presentes escrevemos ao rei de Noruega, tio do joven Fortimbraz, que jazendo enfermo n'um leito, mal conhece os projectos de seu sobrinho, pedindo-lhe que ponha o seu veto á empreza, porque é de entre os seus subditos que se fazem as levas de soldados e os alistamentos. Encarregámo-vos, Cornelio e Voltimando, de apresentar as nossas saudações ao idoso monarcha norueguez, e é nossa vontade, que nas negociações vos conformeis adstrictamente ás instrucções que junto com a nossa carta recebereis. Adeus; a celeridade do resultado prove a dedicação dos negociadores.

CORNELIO e VOLTIMANDO

Senhor, a nossa dedicação e obediencia não tem limites.

O REI continuando

Nem o duvidâmos. Recebam um cordeal adeus. (Cornelio e Voltimando sáem.) Agora, tu, Laerte, que pretendes? Disseram-nos que nos querias fazer uma supplica? Qual é? Tu não podes fazer ao monarcha dinamarquez um pedido que não seja rasoavel, e não recorres a elle em vão. Que poderias desejar, Laerte, a que não estejamos promptos a annuir, mesmo antes de conhecer a pretensão. A cabeça não é mais sympathica ao coração, a mão não é mais prompta em servir a bôca do que o throno de Dinamarca é dedicado a teu pae. Que desejas pois, Laerte?

LAERTE

Meu augusto soberano, a vossa licença e o vosso consentimento, para voltar a França. Gostosamente vim a Dinamarca para assistir á vossa coroação, mas, cumprido esse dever, confesso-o, os meus desejos e a minha vontade me chamam a França, e supplico a vossa magestade que me conceda partir.

O REI

Já alcançaste o consentimento de teu pae? o que diz Polonio?

A RAINHA

Arrancou-me o meu consentimento, tanto me importunou; acabei por ceder, mau grado meu, aos seus desejos. Supplico-lhe, pois, senhor, que lhe conceda a licença pedida.

O REI

Podes partir quando te aprouver, Laerte; deixo-te a liberdade de dispores do teu tempo e da tua pessoa. Então, Hamlet, meu primo, meu filho?

HAMLET á parte

Aindaque mui proximos parentes não somos primos.

O REI

Porque essas nuvens que pesam sobre a tua fronte?

HAMLET

Engana-se, senhor, como póde haver nuvens, quando brilha o sol.

A RAINHA

Querido Hamlet, despe essas roupas de dó, e lança um olhar amigavel para o rei de Dinamarca. Descrava os teus olhos do chão; pareces procurar as pegadas do teu glorioso pae. Sabes bem que é um destino invariavel; tudo quanto vive ha de morrer, e este mundo é uma ponte para a eternidade.

HAMLET

Sim, senhora, é um destino commum.

A RAINHA

Se é assim, o que te parece a ti tão extraordinario?

HAMLET

Senhora, não me parece, é-o na verdade. O parecer para mim nada vale. Minha mãe, não são nem esta capa negra, nem estas vestes obrigadas nos lutos solemnes, nem os suspiros que mal póde soltar um peito opprimido, nem torrentes de lagrimas, nem o semblante macerado, nem todas as manifestações de uma dor pungente, que podem exprimir e revelar o que eu sinto. Todos estes signaes podem parecer dor; é um papel facil de representar, mas não são verdadeira dor, são como o fato para o comediante; mas eu (pondo a mão sobre o coração) sinto aqui, o que não ha palavras que o expressem.

O REI

Nada ha na verdade, Hamlet, mais commovente e louvavel do que os deveres funebres prestados á memoria de um pae. Mas lembra-te que teu pae já perdêra o seu, e que esse tambem já perdêra o pae. E para o sobrevivente um dever de piedade filial, dar durante um certo praso provas de uma dor respeitosa; mas perseverar n'uma afflicção obstinada, é mostrar uma teima impia; é uma dor cobarde, é a prova de uma vontade rebelde aos decretos da providencia, de um coração sem energia, de uma alma incapaz de resignação, de uma intelligencia pobre e limitada. Porque nos deve impressionar a tal ponto um acontecimento, que sabemos ser uma necessidade, e que se repete tão frequente, quanto as occorrencias mais vulgares; é uma triste indocilidade. Que!! É uma offensa a Deus, uma offensa aos finados, uma absurda offensa á natureza, que não tem em seus fastos mais vulgar acontecimento, que a morte de um pae; a qual, desde o primeiro cadaver até ao homem que hoje se finou, nunca deixou de nos clamar: Assim estava escripto. Supplico-te, portanto, abandona essa afflicção impotente, e vê em nós um segundo pae; porque queremos que todos saibam que tu és o mais proximo ao nosso throno, e que a affeição mais terna que um pae tem a seu filho, tenho-a eu a ti. Quanto á tua intenção de voltar a Wittemberg, para continuares os teus estudos, nada ha mais opposto aos nossos desejos; conjurâmos-te que fiques aqui, sê o prazer de nossos olhos, o primeiro da nossa côrte, nosso sobrinho, nosso filho.

A RAINHA

Hamlet, far-te-ha tua mãe uma supplica baldada? peço-te fica comnosco, não vás para Wittemberg.

HAMLET

Farei o que podér, para em tudo vos provar obediencia.

O REI

Eis emfim uma resposta affectuosa e comedida. Serás na Dinamarca um segundo Eu. (Á rainha) Venha, senhora, este acto de deferencia de Hamlet, cumprido tão naturalmente e sem esforço, enche de jubilo o meu coração. Para o celebrar o rei de Dinamarca não libará uma taça, sem que a voz do canhão o transmitta ás nuvens. A cada taça quero que o céu o annuncie, repercutindo o estrondo dos raios da terra. Vamos agora. (Todos sáem excepto Hamlet.)

8,61 zł
Ograniczenie wiekowe:
0+
Data wydania na Litres:
11 października 2024
Objętość:
120 str. 1 ilustracja
ISBN:
4064066408053
Wydawca:
Właściciel praw:
Bookwire
Format pobierania:

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