Czytaj książkę: «Casamento com lucro - A tentação mora ao lado»

Czcionka:

Editado por Harlequin Ibérica.

Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Núñez de Balboa, 56

28001 Madrid

© 2022 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

N.º 71

© 2013 Katrina Williams

Casamento com lucro

Título original: Marriage with Benefits

Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.

© 2013 Maureen Child

A tentação mora ao lado

Título original: The King Next Door

Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.

Estes títulos foram publicados originalmente em português em 2014

Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial. Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.

® Harlequin, Harlequin Desejo e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.

® e ™ são marcas registadas por Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença. As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.

Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos estão reservados.

I.S.B.N.: 978-84-1105-256-6

Índice

Créditos

Sumário

Casamento com lucro

Capítulo Um

Capítulo Dois

Capítulo Três

Capítulo Quatro

Capítulo Cinco

Capítulo Seis

Capítulo Sete

Capítulo Oito

Capítulo Nove

Capítulo Dez

Capítulo Onze

Capítulo Doze

Capítulo Treze

A tentação mora ao lado

Capítulo Um

Capítulo Dois

Capítulo Três

Capítulo Quatro

Capítulo Cinco

Capítulo Seis

Capítulo Sete

Capítulo Oito

Capítulo Nove

Capítulo Dez

Capítulo Onze

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Capítulo Um

Outras solteiras de vinte e cinco anos sonhavam com príncipes encantados e finais felizes. Mas Dulciana Allende sonhava com um divórcio. E Lucas Wheeler era o homem que poderia dar-lhe o que ela queria.

Cia olhou para aquele loiro de largos ombros que estava do outro lado do átrio cheio de gente. O luxo e ostentação roçavam o mau gosto. A mulher que estava ao lado dele usava um anel caro o suficiente para dar de comer durante um ano inteiro às mulheres que viviam no refúgio onde trabalhava como voluntária.

Mas se tivesse tido a habilidade de sacar dinheiro aos benfeitores, não precisaria de ir àquela festa da alta sociedade de Dallas. E também não teria que pôr em ação o seu plano B.

Sendo que não havia plano C.

Bebeu o que restava da bebida que algum empregado lhe tinha posto na mão. Depois de se ter esforçado tanto para conseguir um convite de última hora para a festa de anos da senhora Wheeler, o mínimo que podia fazer era deixar-se levar um pouco pelo ambiente e beber aquelas mistelas caríssimas com que o jet set fingia beber álcool. Se fosse bem-sucedida na negociação, a senhora Wheeler tornar-se-ia sua sogra. Tinha que impressioná-la.

Mas a senhora Wheeler também seria a sua futura ex-sogra, portanto talvez a impressão que causasse não tivesse grande importância.

Um homem que estava perto do bar olhava-a insistentemente, mas ela seguiu em frente. Naquela noite, só lhe interessava um homem: o que estava junto à sua mãe, cumprimentando os convidados. Os saltos altos e o vestido superjusto faziam-na andar mais lentamente por entre a multidão.

– Parabéns, senhora Wheeler – disse, apertando a mão à senhora com um sorriso. – A festa é um êxito. Sou Dulciana Allende. Muito prazer em conhecê-la.

A senhora retribuiu o sorriso.

– Cia Allende. Santo Deus... Como o tempo passa! Conhecia os teus pais. Foi uma tragédia perderes os dois de uma só vez.

O sorriso de Cia desapareceu num segundo.

– Lucas, conheces a Cia? – perguntou a mulher, dirigindo-se ao seu filho. – O avô dela era dono da Manzanares Communications.

Cia olhou para o homem com quem planeava casar-se e foi como se lhe dessem um murro no estômago. Era tão... bonito!

– Menina Allende.

Lucas deu-lhe um beijo na mão.

– Wheeler – Cia retirou a mão com rapidez. – Acho que nunca conheci ninguém que se parecesse tanto com o Ken, o noivo da Barbie.

Felizmente a senhora Wheeler estava ocupada a cumprimentar outras pessoas e não ouviu o comentário. A boca de Cia já começava a trabalhar mais depressa do que a cabeça. Não tinha grande aptidão para o convívio social, sobretudo tratando-se de homens.

Lucas nem pestanejou. Olhou-a de alto a baixo e arqueou uma sobrancelha num trejeito brincalhão.

– Bem, acho que sou melhor do que o Ken: eu dobro-me por todos os lados.

Cia soltou ar e riu-se ao mesmo tempo. Não queria gostar de Lucas Wheeler. Não queria, nem remotamente, achá-lo atraente. Tinha-o escolhido por isso, porque dera por assente que não ia gostar dele. Segundo tinha lido nos jornais, ele era como aqueles Casanovas com quem tinha saído na universidade: lindo e tolo.

Não passava do tipo ideal para passar um bom bocado, um tipo que podia salvar a vida a centenas de mulheres. O casamento que tinha em mente ajudaria muita gente mas se esse aliciante não fosse suficiente, também poderia dar-lhe outros incentivos.

O pensamento deu-lhe a coragem que lhe faltava. Esboçou o seu melhor sorriso. Os negócios com Lucas Wheeler não passavam disso, de negócios.

– Bom, também é justo dizer que os fatos te assentam melhor a ti do que ao Ken.

– Ena! Ia jurar que isso foi um elogio – Lucas pôs a cabeça de lado e inclinou-se um pouco para ela. – Se os nossos pais se conheciam, por que não nos conhecemos?

A sua voz, estimulada pelo uísque, tinha um ligeiro sotaque texano, lento e sugestivo, um sotaque que lembrava cowboys e cavalgadas sob um sol justiceiro. Cia olhou-o nos olhos.

– Não saio muito.

– Gostas de dançar? – apontou para a pista de dança.

Dezenas de convidados dançavam ao ritmo de uma suave melodia de jazz.

– Em público não.

Lucas ficou calado por um momento. A indireta tinha surtido efeito.

– De certeza que nunca nos vimos?

– De certeza que não.

E se as coisas fossem diferentes, nunca se teriam conhecido. Os homens como Lucas, peritos em seduzir e namorar, eram perigosos para as românticas como ela. Mas estava disposta a fazer qualquer sacrifício para abrir aquele refúgio de mulheres e ver o sonho da sua mãe tornado realidade.

– Na verdade, conhecemo-nos hoje porque tenho uma proposta a fazer-te.

Um lento e letal sorriso surgiu nos lábios de Lucas.

– Gosto de propostas.

– Não se trata disso. Não tem nada a ver com o que vejo nos teus olhos.

– Bem, agora só há mesmo duas hipóteses. Ou vou estar muito interessado ou não me vai interessar de todo – aproximou-se. Não sei qual vai ser.

– Estarás interessado – disse-lhe ela, retrocedendo.

Depois de ter levado a cabo uma meticulosa investigação prévia, sabia com segurança que Lucas não podia permitir-se não estar. Tinha pensado em dezenas de candidatos mas nenhum encaixava bem no perfil.

– Bem, vou direta ao assunto. Hoje em dia, muitas mulheres sofrem com a violência machista e eu quero construir um lar onde possam começar uma nova vida, longe desses homens que as usam como sacos de boxe. Os refúgios desta zona estão cheios e faz falta um novo, um muito grande e muito caro. E é aí que tu entras em jogo.

Já tinham admitido mais mulheres do que as que cabiam no refúgio e era apenas uma questão de tempo até se ficar a saber que a capacidade do centro tinha sido superada. Lucas Wheeler ia mudar o futuro.

Lucas abanou a cabeça.

– O meu dinheiro não entra nesta discussão. Enganaste-te de ricalhaço.

– Não quero o teu dinheiro. Eu tenho o meu. Só preciso de ter acesso a ele para construir o refúgio à minha maneira, sem precisar de benfeitores, investidores ou empréstimos.

– Bem, querida, então parece que não precisas de mim. Se decidires fazer-me outro tipo de proposta, não hesites em ligar-me. – Lucas afastou-se. Avançou para uma esbelta rapariga que luzia um vestido fulgurante.

Decerto a rapariga teria estado à espera que o solteiro mais cobiçado da festa lhe concedesse uns minutos.

– Ainda não acabei – disse Cia, cruzando os braços e indo atrás dele.

Fulminou a jovem do vestido cintilante com um olhar negro. – O meu dinheiro está sob um fundo fiduciário. Para aceder a ele, tenho que ter trinta e cinco anos, para o qual falta uma década, ou casar-me. O meu marido pode pedir o divórcio após terem passado seis meses de casamento. E o dinheiro será meu. Realmente preciso de ti, porque gostaria que tu fosses esse marido.

Lucas começou a rir.

– Por que será que todas as mulheres estão obcecadas com o dinheiro e com o casamento? Estou um pouco desiludido por ver que és como todas as outras.

– Não sou como as outras. A diferença é que tu precisas de mim tanto quanto eu de ti. A questão é... estás disposto a admiti-lo?

Ele arregalou os olhos.

– Essa é outra forma de ver a questão. Morro de vontade de conhecer todos os detalhes.

– Vendeste alguma propriedade substancial ultimamente, Wheeler?

Lucas ficou tenso de imediato.

– E que tem isso a ver com o fundo fiduciário?

– Estás num aperto. Tens que salvaguardar a tua reputação. Eu preciso de um casamento. Podemos ajudar-nos mutuamente e eu farei com que te valha a pena.

Nenhum outro solteiro tinha o perfil certo. Além disso, não tinha vontade de aproximar-se de outro estranho. Costumava assustar os homens muito depressa, o que lhe poupava muitas dores de cabeça mas a deixava sem prática no uso das armas femininas. E tudo isso significava que devia oferecer algo que o futuro marido não pudesse rejeitar.

– Um momento – Lucas fez sinal a um empregado e agarrou dois copos da bandeja. – Tens a minha atenção, durante mais um minuto. Vamos lá fora, preciso de ar fresco.

Abriu caminho por entre a multidão. O seu irmão, Matthew, levantou os olhos ao vê-lo passar com tanta pressa. O seu sorriso sedutor falava por si.

Lucas retribuiu-lho. Tinha que salvar as aparências. Um encontro sexual furtivo e rápido num canto escuro de uma varanda era uma das suas especialidades, mas naquele momento era a última coisa em que pensava.

– Algo para beber? – perguntou a Cia quando chegaram à varanda situada no fundo do local.

Ela aceitou o copo.

– Obrigada. Muito melhor que o cocktail insonso que tirei da última vez – bebeu um pouco de Bourbon, ganhando assim um par de pontos aos olhos de Lucas Wheeler. – Bem, agora que tenho a tua atenção, ouve-me com cuidado. O que te ofereço é um acordo de negócios. Mais nada. Casamo-nos e dentro de seis meses pedes-me o divórcio. E isso é tudo. Seis meses é tempo suficiente para recuperares a tua reputação e eu conseguir aceder ao meu fundo fiduciário.

Reputação. Lucas teria desejado rir-se e dizer que lhe era indiferente o que os outros pensavam dele. Mas era um Wheeler. O seu tataravô tinha fundado a Wheeler Family Partners um século antes e, quase sem ajuda, tinha transformado a paisagem do Norte do Texas. Tradição, família, negócio... O apelido Wheeler era sinónimo de todas essas coisas. Nada mais importava.

– Estás a brincar, não estás? Vais jogar essa carta? Se este casamento falso for avante, tens que saber uma coisa: não tenho jeito para caniche e não me vai tremer o pulso se tiver que dizer-te como são as coisas e como vão ser. E, por último, fiz bem o meu trabalho de casa. Perdeste ontem o contrato com o edifício Rose, portanto não finjas que os teus clientes não estão a trocar-te por outras empresas onde os sócios sabem manter a braguilha fechada. Escolhe outra carta, se quiseres.

– Não sabia que ela era casada.

Assim que falou, Lucas desejou não ter dito nada. Tinha sido um idiota, um tonto que não soubera ler os sinais. Encontrava-se com Lana muito de vez em quando, ela sugeria-lhe lugares afastados para comerem, nunca ficava com ele à noite. Deveria ter sido capaz de juntar as peças do puzzle.

– Mas era. O que te proponho é um balão de oxigénio, uma forma de criares distância e afastares-te do escândalo com uma esposa estável e simpática que desaparecerá da tua vida dentro de seis meses. Insisto em assinarmos um contrato pré-nupcial. Não te estou a pedir para ires para a cama comigo. Nem sequer preciso que gostes de mim. Apenas tens que assinar um papel e depois assinar outro dentro de seis meses.

Lucas começou a sentir uma veia a palpitar-lhe nas têmporas. Até um casamento fictício teria as suas consequências. As coisas não seriam tão fáceis como assinar dois documentos. A sua mãe teria um ataque de coração se se divorciasse seis meses depois do casamento. Quase tinha ido parar ao hospital quando morrera Amber, a esposa de Matthew, e estavam casados há apenas um ano.

– Querida, não fazes o meu género. Este Ken de carne e osso não gosta de Barbies.

– Bem, é precisamente por isso que é um acordo tão apelativo. Não haverá nenhuma tentação possível, nem compromissos embaraçosos. É um acordo temporário de negócios entre dois sócios respeitáveis. Não posso acreditar que estás a recusar esta oportunidade.

– Que fique assente que me tira o entusiasmo saber que o fator tentação é inexistente. Não pode ser assim tão simples como dizes. E se alguém descobrir que não é verdade? Consegues à mesma o dinheiro?

– Ninguém saberá. Não vou dizer a ninguém. E tu também não. Só temos que fingir que estamos loucamente apaixonados algumas vezes, quando estivermos rodeados de pessoas, para que o meu avô acredite. Dentro de casa, podemos fazer o que nos apetecer.

– Por que não podes conseguir o dinheiro a menos que te divorcies? Essa é a cláusula mais esquisita que já vi.

– Estou a ver que és muito curioso.

Ele arqueou uma sobrancelha.

– Bem, querida, acabas de fazer-me uma proposta de casamento. Acho que tenho o direito de fazer algumas perguntas.

– O meu avô é muito conservador. Quando os meus pais morreram... O meu avô quer assegurar-se de que alguém cuidará de mim e, na sua cabeça, isso significa que tenho que ter marido. É suposto eu apaixonar-me, casar-me e ter crianças, não divorciar-me. O dinheiro é um colchão de segurança para o caso do marido me abandonar. E deu-me muito trabalho convencer o meu avô a incluir essa cláusula.

– O teu avô conhece-te, não? – Lucas sorriu. – Estou há cinco minutos contigo e nunca pensaria que não sabes cuidar de ti própria. Porquê trinta e cinco? Não me parece que sejas daquelas que gastam o dinheiro em cocaína ou nos casinos.

– Doei todo o dinheiro que herdei dos meus pais ao refúgio onde trabalho. E não penses que estou à procura de doações. O meu avô criou o fundo fiduciário e deposita os juros diretamente na minha conta. Tenho mais do que suficiente para viver, mas não chega para construir um refúgio. Ele espera que pelos trinta e cinco anos já tenha perdido o interesse nessas mulheres de vidas destruídas.

– Bem, é evidente que isso não vai acontecer.

– Não. E não gosto que me obriguem a casar. Olha, não é que te esteja a pedir que invistas na construção de uma pirâmide ou de um canil. Isto vai salvar vidas humanas. É para mulheres que sofrem abusos nos seus lares e não têm para onde ir. A maioria não tem muita educação e têm que trabalhar no duro para alimentarem os filhos. Pensa no assunto como um gesto de caridade. Ou serás demasiado egoísta?

– Ouve... Faço parte da direção da Habitat for Humanity. Dou dez por cento do meu rendimento religiosamente. Dá-me um descanso, ok?

Através da parede de vidro que separava a varanda da pista de dança viu os seus avós a dançar. Uma esposa mediática poderia servir para manter à distância o marido de Lana... E provavelmente era uma boa ideia manter-se afastado das mulheres durante algum tempo mas... a ideia era uma loucura.

– A tua proposta é muito interessante mas receio ter que dizer não.

– Não tão depressa, cowboy. Estou a confiar-te esta informação. Não me desiludas ou vais passar os próximos seis meses nos tribunais. O meu avô vai vender a empresa de telemóveis de Manzanares e vai levar o resto do negócio para instalações mais pequenas. Decerto conheces a localização da atual empresa.

Eram quatro edifícios, com menos de uma década, que rodeavam um parque numa zona muito central. O projeto era da Brown & Worthington e tinha recebido vários prémios de arquitetura.

– Talvez.

– O meu avô adoraria fechar o contrato de venda com o meu marido.

Esperou uns segundos mas Lucas já tinha feito os cálculos mentais pertinentes.

A comissão que poderia receber com o edifício Manzanares quadruplicava o que poderia ter ganho com o edifício Rose. Além disso, o prestígio que ganharia com um negócio daquele calibre atrairia, sem dúvida, muitos novos clientes.

– Se analisar esta ideia estrambólica como algo plausível, posso chamar-te Dulciana?

– Chamo-me Cia, nome que, para que fiques cientes, não se parece nada com «céu». Conto contigo ou não?

– Porquê eu?

– Namoriscas bem e com frequência mas as minhas investigações apuraram que tratas as mulheres com respeito. Isso é importante para mim. Para mais, tudo o que li sobre ti me leva a pensar que manterás a tua palavra. Não posso ser eu a pedir o divórcio, por isso tenho que recorrer a ti.

– Não tens um namorado ou um varão incauto que morda o anzol?

– Não tenho ninguém. Pela minha experiência, digo-te que os homens só servem para uma coisa – olhou-o de alto a baixo com descaramento. – Para mudarem os móveis.

– Ganhaste. Vou chamar-te Cia.

– Mostra as tuas cartas, Wheeler. Não tens nada a perder mas muito a ganhar. Sim ou não?

Lucas ficou em silêncio alguns segundos.

– Não.

– Não? Estás a rejeitar-me?

– Não tenho jeito para caniche, já te disse. Tu queres fazer negócios, por isso vamos encontrar-nos no meu escritório amanhã de manhã. Às nove em ponto. Com advogados e sem álcool. E não chegues tarde, meu céu.

Cia ficou pálida. A temperatura parecia ter baixado alguns graus. Assentiu uma vez.

– Combinado – disse, começando a andar para a porta.

Capítulo Dois

Cia estava há vinte minutos à espera quando Lucas Wheeler entrou nos escritórios da Wheeler Family Partners às nove e oito minutos da manhã do dia seguinte.

– Menina Allende – sorriu, como se fosse do mais normal encontrar mulheres sentadas no sofá da sala de espera. Inclinou-se sobre o balcão da rececionista. – Helena, podes mudar a hora da avaliação das nove e meia e mandar à Kramer a oferta revista que te enviei por correio eletrónico? Dá-me cinco minutos para ir tomar um café e então podes dizer à menina Allende para entrar.

A rececionista sorriu e murmurou uma resposta. Ao ver que Cia se aproximava do balcão, abriu os olhos.

– Tenho outros compromissos hoje, Wheeler. Salta o café e acompanho-te ao teu escritório.

Assim que falou, Cia arrependeu-se do que tinha dito. Não se tratava apenas de uma falta de armas femininas... Tinha deixado Lucas Wheeler fazê-la perder a compostura.

Por sorte, ele decidiu ignorar o comentário. Dedicou-lhe um olhar acutilante, calculista.

– Claro, céu. Helena, importas-te?

Conduziu Cia pelo corredor, coberto por um fofo tapete turco. Atravessaram uma porta dupla. Cia leu as inscrições das placas: Robert Wheeler e Andrew Wheeler. A porta seguinte estava aberta. O escritório era igual às salas anteriores, mas ele enchia-o com a sua presença poderosa e masculina.

Cia sentou-se à frente da secretária. Tinha que manter os pés na terra.

– A minha advogada não pôde cancelar todos os seus compromissos desta manhã. Espero que possa ajudar-nos assim que cheguemos a um consenso.

Na verdade, nem lhe tinha ligado. Gretchen estava muito ocupada com um caso de custódia de uma das mulheres do refúgio. Não podia incomodá-la por algo com que Lucas nem tinha ainda aceitado.

– Os advogados estão sempre muito ocupados – disse ele, sentando-se junto a ela em vez de sentar-se à sua secretária.

Agarrou uma pasta de cabedal que estava no chão e tirou um monte de papéis. Entregou-lhos a ela. Nesse momento entrou a rececionista com uma chávena.

Lucas agarrou o recipiente rapidamente e inspirou até encher os pulmões. Bebeu um gole.

– Perfeito. Achas que poderia pagar-lhe para que viesse viver comigo e me fizesse café todas as manhãs?

Cia soprou. Procurou esconder o ligeiro tremor que tinha na voz.

– Provavelmente fá-lo-ia grátis... Tu sabes... Se tivesse outros ganhos...

– Achas que sim? – perguntou-lhe ele, olhando-a de alto a baixo. – Tu fá-lo-ias?

– Decerto que esses outros ganhos não seriam tão bons que garantissem que tivesses um café à tua espera todas as manhãs – olhou para os papéis. – Que é tudo isto?

– É um rascunho do contrato pré-nupcial. Também há um contrato em que são especificadas as condições do nosso casamento e divórcio. E outro para a venda de Manzanares.

Surpreendida, Cia riu-se e começou a folhear os documentos.

– Não, a sério. O que é?

Ele chegou-se para trás sem dizer uma palavra.

Cia deu-se conta de que não estava a brincar. Totalmente desconcertada, arqueou uma sobrancelha.

– Vais para a cama com a tua advogada? Foi assim que conseguiste preparar tudo isto tão rapidamente?

– Claro – disse ele com desembaraço. – Não te escapa nada.

– Faz-me um resumo dos pontos mais importantes, Wheeler. Que surpresas escondes em todo esse palavreado?

Ele tinha aceitado. Convencera Lucas Wheeler a casar-se com ela. Uma onda de alegria invadiu-a por dentro. Tinha encontrado um atalho para conseguir o dinheiro.

– Nada de surpresas. Ambos mantemos o controlo dos nossos bens. Tudo está bem claro e por escrito – o telefone tocou mas decidiu ignorá-lo. – Tu tens sido direta comigo e eu dou valor a isso. Não há melhor forma de começar uma sociedade do que com sinceridade. Remeto-te à página quinze.

Esperou que ela encontrasse a referida página.

– Quinze. Cá está ela.

– Quero que mudes o teu nome e adotes o apelido Wheeler. É a minha única condição. E não é negociável.

– Não – disse Cia, quase cuspindo a palavra. – Isso é ridículo. Só vamos estar casados por um breve período de tempo. E apenas de portas para fora.

– Exato. Isso significa que tens adotar o apelido.

Não podia fazê-lo. Não podia renunciar ao único vínculo que tinha com os seus pais e declarar que estava unida a Lucas Wheeler sempre que desse o seu apelido.

Cia Wheeler...

Lucas pôs-se em pé.

– Vem comigo. Gostaria de mostrar-te algo – disse-lhe, estendendo-lhe uma mão.

Ela pôs-se em pé, sem aceitar a sua ajuda. Olhou em volta, procurando algo que valesse a pena mostrar.

– Não está aqui. Tenho que te levar.

– Não tenho todo o dia para passear contigo.

– Então deveríamos fazer-nos ao caminho.

Sem esperar resposta, conduziu-a por uma porta traseira. Na garagem esperava-os um flamejante carro branco. Abriu-lhe a porta do acompanhante.

Cia sentou-se com cara de poucos amigos no fofo banco de cabedal creme. Lucas Wheeler estava a ser uma pessoa difícil de manejar. Segundo diziam as revistas de sociedade, a única coisa que lhe interessava era ir de festa em festa e ter uma mulher bela na cama... embora talvez não dissessem exatamente isso. Tinha assumido coisas que talvez não fossem verdadeiras.

Ele arrancou o carro e saiu do estacionamento. Uma vez na rua, acelerou ligeiramente até atingir a velocidade de um caracol.

Uns segundos mais tarde, Cia já não conseguia suportar mais.

– Credo, Wheeler, conduzes como o meu avô. Vamos chegar antes da meia-noite?

Ele esboçou um dos seus perigosos sorrisos.

– Mas, céu, por que tens tanta pressa? A viagem é parte da diversão. Há que desfrutar o caminho, não achas?

Cia cruzou os braços e afundou-se um pouco no assento.

– Não. Não acho. A diversão está na meta. Não se pode dar o passo seguinte a não ser que se termine o anterior. Levar tanto tempo é contraproducente.

Lucas abanou a cabeça.

– Não me admira que sejas tão neurótica. Não relaxas o suficiente.

– Relaxo, sim senhor. As mulheres sofrem. Onde vamos? E que tem isto a ver com o facto de eu mudar de apelido?

Ficou em silêncio uns segundos. Algo lhe dizia que aquela relação seria uma interminável partida de xadrez. Mas ela tinha deixado os peões em casa.

– E se ouvíssemos um pouco de rádio? – disse de repente. – Escolhe uma estação.

– Não quero ouvir rádio – disse.

Não podia continuar a responder-lhe daquela maneira. Não era boa ideia deixá-lo ver o muito que a enervava.

– Então escolho eu.

Começou a ouvir-se uma canção de George Strait com uma boa base de guitarras vibrantes do sul.

– Queres que adormeça?

Com a ponta do dedo, Lucas premiu o botão até encontrar outra rádio em que se ouvia Christina Aguilera.

– Oh, muito melhor – disse com sarcasmo, e então desligou a rádio. – Já chegámos.

– Já? – Cia olhou pela janela.

Lucas tinha estacionado à frente de uma impressionante mansão situada no meio de uma quinta cheia de belos jardins.

– Highland Park. Mais concretamente, a nossa casa de Highland Park.

– Já escolheste uma casa? Por que precisamos de uma casa? Que tem de mal ires viver comigo?

– A casa está à venda. É perto dos escritórios e gosto dela. Se este casamento falso tem de funcionar, toda a gente perguntaria por que não quisemos começar uma nova vida juntos na nossa própria casa.

– Ninguém vai perguntar tal coisa. Não terás pensado partilharmos quarto, não?

– Diz-me tu. Todo este espetáculo é dedicado ao teu avô. Virá ver a casa para assegurar-se de que tudo é real?

– Não. Confia em mim.

– Então teremos quartos separados – Lucas encolheu os ombros e esboçou um sorriso totalmente diferente aos anteriores.

Cia não podia defender-se. Dando-se por vencida, respirou fundo.

Lucas abriu-lhe a porta. Rija como uma vara, desceu do carro e seguiu-o até à porta principal. Ele abriu a porta e guardou a chave. A mansão era extraordinária, toda em mármore, vidro e madeira escura.

Ele passou pelo lado dela e entrou no salão.

Os móveis estavam cobertos por panos e um silêncio sepulcral reinava em todo o espaço. Tinham vivido ali pessoas mas tinham saído a fugir, deixando ainda vestígios das suas presenças.

– E então? – perguntou-lhe Lucas. – Queres continuar a visita ou chega-te esta sala?

O esgar dos seus lábios indicava que já sabia a resposta.

– Como encontraste este lugar?

Ele olhou para ela fixamente e, por um instante, Cia desejou ter visto aquele sorriso depredador que tanto odiava. Pelo menos nesses casos os seus pensamentos eram evidentes e era fácil esquivar-se. Aquela sua seriedade, por outro lado, assustava-a.

– As propriedades vazias são a minha especialidade. É o mais arriscado do trabalho. O dono estava disposto a alugar por seis meses, portanto nem tem complicações. Queres ver a cozinha? É por aqui.

Apontou para o fundo da casa, mas Cia não se moveu.

– Não preciso ver a cozinha para detetar uma armadilha. Vendes imóveis comerciais, não residenciais. Por que me trouxeste aqui?

– Estou a jogar as minhas cartas.

– Fantástico – disse ela, respirando fundo. – Que tens?

Como se de um truque de magia se tratasse, fez um gesto rápido e tirou uma caixinha preta.

– O teu anel de noivado.

O coração de Cia começou a bater com mais força.

– Não falámos nada sobre isto. Queres que pague metade?

– Não – disse ele. – Considera-o um presente. Podes devolvê-lo no final se isso te fizer sentir melhor.

– Nem sequer é meio-dia, Wheeler. Deste-me um contrato, mostraste-me uma casa, ofereceste-me um anel. Ou já tinhas pensado em pedir a mão a alguém ou tens uma secretária extraordinária – disse, cruzando os braços.

De repente, reparou nas olheiras que tinha. Era por isso que estava cansado. Tinha passado horas a preparar tudo.

Cia não quis deixar-se impressionar.

– Ontem à noite propuseste-me uma sociedade. Isso significa que pomos os nossos trunfos na mesa e isso é que estou a fazer. Na verdade, tu é que precisas de mim para algo mais do que pôr uma assinatura num papel. Queres que toda a gente acredite que este casamento é real, mas parece que não fazes ideia de como concretizar a tarefa.

– Oh, e tu sim?

– Sim. Estou há trinta anos perto dos meus pais. O meu irmão é casado. O meu avô também. O nome da empresa não é Wheeler Family Partners porque gostamos do som do nome. Trabalho com homens casados todos os dias.

Tinham voltado para o vestíbulo. Estava perto. Demasiado perto. Quando ele estendeu o braço e lhe afastou uma madeixa de cabelo do rosto, Cia sobressaltou-se.

– Ei, alto aí, céu. Olha, as pessoas casadas não reagem assim. Tocam-se uns aos outros. E muito – esboçou um sorriso demolidor. – E gostam de fazê-lo. Vais ter que te habituar.

Cia abriu os punhos. Retrocedeu.

– A casa parece-me bem. Pagaremos a renda a meias.

Lucas arqueou uma sobrancelha.

– E que se passa com o anel? Nem sequer olhaste para ele.

– Se é redondo, serve-me.

– Talvez tenha que o levar para ajustarem. Toma, experimenta-o.

Abriu a caixinha e tirou algo que brilhava obscenamente. Pô-lo no dedo.